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Larissa
llquadros95@gmail.com LinkedIn

A planilha que virou produto

Vi alguém tentando encaixar a vida financeira pessoal e a da empresa na mesma planilha. Decidi transformar essa cena em um aplicativo desktop. Hoje: funcionando e em uso por uma pessoa real.

Papel
Product/UX Designer, presente da descoberta ao código
Escopo
Ideia → documento de produto → modelagem de domínio → fluxos → wireframes → design system → mockups → desenvolvimento
Entregas
26 telas em claro e escuro, 24 estados vazios, design system com 11 componentes e 16 ícones, 9 documentos de design
Status
Em uso, sendo testado por um usuário real
Repositório
Projeto inteiro aberto, do documento de produto às regras de implementaçãoFALTA · o endereço do repositório

A ideia

Estive em todas as etapas, da primeira conversa até o código: defini o problema, modelei o domínio, desenhei o produto inteiro, construí o design system e segui na implementação ao lado de um desenvolvedor, aprendendo versionamento e programação assistida por IA no caminho.

A entrega final foi além das telas: mantive um repositório com a documentação de todo o processo, em que cada decisão ficou registrada junto do raciocínio que a sustentava. Foi o que permitiu a informação atravessar as etapas sem se perder e chegar inteira ao desenvolvimento.

Gravado numa janela mais estreita que a de 1440 em que as telas foram desenhadas, com dados de demonstração.

Ensinei a ferramenta antes de usá-la

Antes de abrir qualquer ferramenta de design, eu defini o método.

Conduzi o projeto inteiro com IA, e a primeira coisa que construí não foi uma tela: foi uma skill. Um conjunto de instruções reutilizável que ensinava o Claude a conduzir qualquer etapa seguinte, do brainstorming à modelagem de domínio. Apoiei essa skill em frameworks de estruturação de incerteza e formulação de perguntas, e fixei nela uma regra inegociável: nenhuma lacuna de informação é preenchida por suposição.

Com o método de pé, dirigi a construção do documento de produto a partir de duas fontes: um documento de brainstorming e a planilha que o usuário já usava. Pedi a leitura das fórmulas da planilha, não só dos valores visíveis. Essa instrução fez aparecer a lógica de negócio que a planilha já tinha.

Com as regras estáveis, pedi a tradução do documento para um modelo formal de domínio: eventos, comandos, políticas e agregados. Onde havia tensão sem resposta certa ainda, instruí que ficasse marcada como hotspot em vez de decidida no automático.

Dois trechos de arquivos do projeto. Na skill loop-produto, a diretriz nunca assuma premissas: tornar explícitas as lacunas de conhecimento em vez de preenchê-las por conta própria, com os quatro quadrantes, de known knowns a unknown unknowns. No event storming, o começo da tabela de hotspots, com H4 fechado por ADR e H5 modelado e não testado.Dois trechos de arquivos do projeto. Na skill loop-produto, a diretriz nunca assuma premissas: tornar explícitas as lacunas de conhecimento em vez de preenchê-las por conta própria, com os quatro quadrantes, de known knowns a unknown unknowns. No event storming, o começo da tabela de hotspots, com H4 fechado por ADR e H5 modelado e não testado.
A regra na skill, e as dúvidas que ela transformou em hotspots.

O Figma era metade da entrega

Com o modelo de negócio validado, passei de "o que o sistema faz" para "o que a pessoa vê".

Comecei pelo fluxo do usuário: mapeei o caminho completo, do primeiro acesso até as ações do dia a dia. Assim desenhei cada tela sabendo por que ela existia e o que vinha antes e depois dela.

Desenhando os wireframes, apareceram mais decisões. Toda vez que uma tela levantava uma pergunta de comportamento, eu registrava a pergunta, a resposta e o raciocínio por trás dela, na ordem em que aconteceram. Esse hábito virou um documento: um histórico cronológico do porquê de cada tela ser do jeito que é.

E a documentação virou artefato de handoff. Para cada tela, escrevi a especificação funcional separada do desenho visual, o modelo de dados exato de cada campo, e um glossário fechado de nomenclatura. A meta era simples: quem fosse implementar não deveria precisar me perguntar nada que já não estivesse escrito.

Parte da interface é gerada a partir do dado. Então documentei também as regras de renderização: o algoritmo por trás do desenho. Sem isso, quem fosse programar teria que inventar comportamento para cada caso extremo.

O Novo Lançamento em três trechos. No fluxo do FigJam, ele leva às quatro abas e a Salva, sucesso. No wireframe da aba Despesa, a data já vem preenchida com hoje, o status Pago e a entidade PF já vêm selecionados, e há um campo para buscar ou criar categoria. Na especificação, linhas 125 a 132, os mesmos campos: data pré-preenchida com hoje, padrão Pago, padrão PF, e categoria nova sem sair do formulário.O Novo Lançamento em três trechos. No fluxo do FigJam, ele leva às quatro abas e a Salva, sucesso. No wireframe da aba Despesa, a data já vem preenchida com hoje, o status Pago e a entidade PF já vêm selecionados, e há um campo para buscar ou criar categoria. Na especificação, linhas 125 a 132, os mesmos campos: data pré-preenchida com hoje, padrão Pago, padrão PF, e categoria nova sem sair do formulário.
O Novo Lançamento no fluxo, no wireframe e na especificação.

O escuro não é o claro invertido

Antes de aplicar qualquer visual definitivo, construí o sistema.

Uma coleção fechada de tokens de cor nomeados por papel semântico, cada um com valor próprio para o tema claro e para o escuro. Junto, escalas de tipografia, espaçamento e raio, e uma biblioteca de componentes documentada com cada variante e cada estado.

E foi só vendo a cor na tela real que decisões novas apareceram. O par de cores que distingue pessoa física de pessoa jurídica passava no contraste no tema claro e reprovava no escuro. Corrigir exigiu matizes diferentes por tema, não um ajuste automático. Tema escuro não é inversão: é um segundo sistema, e precisa ser validado sozinho.

O card de lucro por entidade do mockup da Evolução Mensal, no tema claro e no escuro, com as barras de PF e PJ. Embaixo, o contraste de cada cor contra o card, com mínimo de 3:1: no claro, PF 4,56 e PJ 5,99; no escuro com as cores do claro, PJ cai para 2,89 e reprova; com as cores corrigidas, PF 5,80 e PJ 5,13.O card de lucro por entidade do mockup da Evolução Mensal, no tema claro e no escuro, com as barras de PF e PJ. Embaixo, o contraste de cada cor contra o card, com mínimo de 3:1: no claro, PF 4,56 e PJ 5,99; no escuro com as cores do claro, PJ cai para 2,89 e reprova; com as cores corrigidas, PF 5,80 e PJ 5,13.
O par PF/PJ nos dois temas: no escuro, o roxo do claro reprovava.

Cem agentes conferindo o meu desenho

Entreguei o design e continuei junto.

Construí o produto ao lado de um desenvolvedor e do Claude: backend completo, banco de dados, contrato de API e centenas de testes automatizados, tela por tela, fiel ao que eu tinha desenhado e documentado.

No fim, uma auditoria de fidelidade. Mais de cem agentes de IA rodando em paralelo, cada um cruzando uma tela implementada contra o frame real no Figma, mostrou o tamanho do que a documentação sustentava sozinha. Com tudo já especificado antes, a implementação só precisou seguir.

O que ficou

O produto existe, funciona e está em uso.

Aprendi a decidir o que as coisas são, e sustentar essa decisão em cada tela depois. Aprendi a escrever para quem vem depois de mim, e descobri que documentar bem é o que faz o design sobreviver ao contato com a implementação. E aprendi que trabalhar com IA se decide antes, não depois: o que define a qualidade do que volta é a regra que eu estabeleci no começo, não a minha avaliação de cada resposta. Sem ela, qualquer resultado plausível passa.

O mockup da Evolução Mensal no Figma: o gráfico Lucro Líquido por entidade, com o valor de julho, R$ 10.400,00, mais 44,4% sobre junho, e barras de PF e PJ lado a lado em cada mês, de fevereiro a julho, nas duas cores do par, com legenda; embaixo, o começo da tabela mês a mês.O mockup da Evolução Mensal no Figma: o gráfico Lucro Líquido por entidade, com o valor de julho, R$ 10.400,00, mais 44,4% sobre junho, e barras de PF e PJ lado a lado em cada mês, de fevereiro a julho, nas duas cores do par, com legenda; embaixo, o começo da tabela mês a mês.
O mockup do DRE no Figma, em julho de 2026: os seletores Consolidado, PF e PJ, e Pago e Previsto, o mês, e a cascata de Receita Bruta a Lucro Líquido, com os subtotais numa faixa cinza e o Lucro Líquido, R$ 10.400,00, em destaque.O mockup do DRE no Figma, em julho de 2026: os seletores Consolidado, PF e PJ, e Pago e Previsto, o mês, e a cascata de Receita Bruta a Lucro Líquido, com os subtotais numa faixa cinza e o Lucro Líquido, R$ 10.400,00, em destaque.
A Evolução Mensal e o DRE, no desenho do produto.

Está tudo aberto.

Leia mais sobre o produto

Quem tem pessoa jurídica além da física não tem uma vida financeira: tem duas. Misturadas na mesma planilha podem virar uma bagunça.

Essa aplicação é um único livro-razão com três leituras. Cada lançamento é registrado uma vez e alimenta o Consolidado, o PF e o PJ ao mesmo tempo. Sem dados duplicados.

O resultado fecha em regime de caixa e já mostra meses futuros sem precisar simular nada: o que já está agendado (recorrência, parcela de dívida) já é a projeção. Toda divergência entre previsto e pago vira um item de Pendências, a caixa de entrada única de tudo que exige decisão.

Nada fica escondido em menu. Uma barra lateral concentra o produto inteiro: lançar algo novo, os quatro relatórios (DRE, Balanço, Evolução Mensal, Indicadores), Revisão de Recorrentes, Histórico, Plano de Contas. A Home é uma central de comando que a pessoa organiza do seu jeito: reordena e minimiza cada card, e o layout fica salvo. Lançar uma receita ou despesa é um clique em "+ Novo Lançamento", de qualquer tela.

No card de Pendências a pessoa vê tudo que precisa de uma decisão. Cada item com o verbo certo: Direcionar, Alocar, Revisar, Pagar. "Onde Está Meu Dinheiro" e "Despesas por Categoria" são treemaps interativos: tamanho do bloco é valor, clicar abre o detalhe e permite redirecionar dinheiro na hora. Todo relatório navega mês a mês, com Consolidado/PF/PJ e Pago/Previsto sempre à vista, nunca atrás de um filtro escondido.

Consumo Livre foi pensado para quem quer ter um dinheiro livre para gastar como quiser sem rótulo. Um clique, só o valor. Sem categoria, sem conta, sem data. Entradas e Saídas mostra de onde veio e pra onde foi o dinheiro do mês, linha a linha. E todo pagamento, reajuste ou divergência gera um Evento automático.

O visual é calmo por decisão, não por acaso. A hierarquia de cada tela segue a informação que o próprio dado já carrega. O design não briga com o número, ele organiza em cima do que o número já diz. Com tanta tabela e gráfico juntos, sobrecarga visual era o risco real; o que importa ganha destaque discreto, nunca um destaque que cansa. E nenhuma cor assume positivo ou negativo sozinha. Julgar o número é decisão de quem olha.

A profundidade é de ferramenta financeira de verdade: cronograma de amortização com reajuste de juros recalculando só o que ainda não venceu, venda de bem dividida entre vários destinos, 18 indicadores financeiros, recorrência com parcelamento propagada automaticamente mês a mês. Tudo local, sem login, sem fricção de conta.

Próximo case

Toda semana, do zero

Redesenhei o fluxo de usuário para pedido de reembolso recorrente pelo app de seguros.

Vamos conversar?